textos autorais

Resistência ao avanço em embarcações

Far away
This ship has taken me far away
Far away from the memories
Of the people who care if I live or die

Muse - Starlight

Vamos imaginar que você, pessoa anônima que está lendo esse texto, é um navio. Tanto faz se a imagem que apareceu na sua mente é a de um porta-contêineres ou um petroleiro, quero apenas que você imagine ser um navio. Existem certos fatores para que navio possa navegar, e um deles é a resistência ao avanço, que como o próprio nome diz, é a resistência da embarcação ao avanço (risos). Para que isso aconteça, é necessário sobrepor esse valor, o que nos leva as seguintes questões: Continue lendo “Resistência ao avanço em embarcações”

Anúncios
textos autorais

Você não está no fim da serra.

Da janela de um carro em movimento avistei as placas alertando que o início da serra começaria em instantes. Dirija com cuidado, reduza a velocidade, deixe os faróis ligados. Nessa serra onde a única opção que tenho é descer, escuto os ventos me empurrando para o lado contrário.

Continue lendo “Você não está no fim da serra.”

textos autorais

Engenharia de fracassos aplicada à Neurologia

A doce brisa vespertina bagunça meus cachos e a minha mente. Vestígios passados e histórias enterradas se desprendem da minha pele, sorrio quando percebo que meu último ano foi feito de tombos e que hoje sou feita de cicatrizes. Dores mal resolvidas são parte da minha história. As ondas da minha memória batem com força como uma orquestra eufórica, o universo inteiro faz parte do vai e vem marítimo, lembranças continuam a se desprender de mim em direção à uma esquina do meu cérebro chamada lóbulo frontal, onde existe uma pequena porém resistente casa de inseguranças e traumas que construí e que agora tento desconstruir dia após dia. Continue lendo “Engenharia de fracassos aplicada à Neurologia”

textos autorais

The Way It Was

O efeito do álcool perde força a cada minuto que passa enquanto me recordo de um instante, aquele em que eu te via no 1,63 daquela menina ao meu lado, que usava um óculos com armação idêntica a sua. Ela não tinha os dois dentes da frente de tamanhos diferentes, entretanto, parecia que eu enxergava eles ali. Observei entre um gole de cerveja e outro, enquanto meu cérebro trabalhava e gastava milhões de Joules por segundo que, mesmo depois de meses, mesmo depois de ter te visto apenas uma única vez descabelada saindo sem rumo do seu prédio, que eu sinto a sua falta. E que no fim, o que faltou foi diálogo entre a gente. Estranhamente me permiti sentir naquela multidão arrepios que seu nome ecoava na minha mente. E comecei a lembrar do quanto te abraçar era bom, enquanto ali, bem na minha frente, uma cópia sua sorria e bebia um copo de alguma coisa que não faço ideia do que era. É patético, mas sorri internamente ao lembrar que você não é forte para bebida, e sorri ainda mais quando notei que você nunca estaria num lugar como aquele em plena 03:34 da manhã de um domingo. A vida tem dessas. Continue lendo “The Way It Was”

textos autorais

Vinte.

De início surgi apenas como um talvez após dias de náuseas e tonturas. Logo, a ideia se tornou algo tão palpável a nível de exatos nove meses. Já não era mais uma incerteza. Vim ao mundo às 3:36 do dia 28 de maio de 1998. Chorei por terem me tirado daquele lugar quentinho que tanto me fazia bem há meses. Não entendi a claridade. O movimento. Os sorrisos. Os carinhos. Mas com o tempo me adaptei e me acostumei. Agora gostava do movimento, vivia de lá pra cá engatinhando pela casa. Meus pais me encorajavam a ficar de pé, e mesmo não me sentindo pronta, tentei. E de pé, caminhei alguns passos para desabar no colo de meu pai, que com uma câmera fotográfica registrava o momento histórico que marcaria o álbum de fotografia da família para sempre: os meus primeiros passos. Continue lendo “Vinte.”

textos autorais

Será que ainda sei escrever?

Tenho mil histórias dentro de mim querendo sair pela minha boca, mas minha voz não é potente o suficiente para que seja ouvível, então desisto e apenas suspiro cansada. Mato personagens, desfechos, finais felizes antes mesmo deles sequer começarem. Rabisco cachos em uma personagem de romance e as roupas de um pirata, mas nenhum deles cria vida. Continue lendo “Será que ainda sei escrever?”